ESTANTE BRASA

A Biblioteca BRASA apresenta livros em qualquer idioma, relacionados a todos os campos de estudos brasileiros publicados no ano atual. Além das monografias acadêmicas, a Biblioteca BRASA publicará livros relevantes para o público em geral. O Secretariado avaliará as submissões quanto à adequação.

Lorraine Leu

Defiant Geographies: Race and Urban Space in 1920s Rio de Janeiro. University of Pittsburgh Press: 2020.

Defiant Geographies examines the destruction of a poor community in the center of Rio de Janeiro to make way for Brazil’s first international mega-event. As the country celebrated the centenary of its independence, its post-abolition whitening ideology took on material form in the urban development project that staged Latin America’s first World’s Fair. The book explores official efforts to reorganize space that equated modernization with racial progress.

Jessica Graham

Shifting the Meaning of Democracy: Race, Politics, and Culture in the United States and Brazil. Oakland, California, University of California Press, 2019.

Shifting the Meaning of Democracy é um estudo historiográfico baseado em uma cuidadosa busca de arquivos e em um vasto domínio da produção intelectual durante o período estudado. O autor enfrenta uma das premissas mais certas de estudos comparativos sobre o Brasil e os Estados Unidos: sua oposição em termos raciais. É um trabalho com muitas contribuições. Traz uma reflexão essencial de um período histórico relevante (1930-1945) sobre o tema da democracia nos dois países, inova sobre a importância da relação entre raça e política no período analisado. O livro aborda uma série de fatos históricos importantes nos dois países, identificando não apenas alianças, mas estratégias comuns sobre questões raciais, trazendo novas luzes ao nosso entendimento sobre raça, nação e democracia nas duas nações.

Jeffrey Needell

The Sacred Cause The Abolitionist Movement, Afro-Brazilian Mobilization, and Imperial Politics in Rio de Janeiro Jeffrey D. Needell. Stanford University Press, 2020.

The Sacred Cause analyzes the relations between the movement, its Afro-Brazilian following, and the evolving response of the parliamentary regime in Rio de Janeiro. Jeffrey Needell highlights the significance of racial identity and solidarity to the Abolitionist movement, showing how Afro-Brazilian leadership, organization, and popular mobilization were critical to the movement’s identity, nature, and impact.

Rebecca Tarlau

Occupying Schools, Occupying Land: How the Landless Workers Movement Transformed Brazilian Education. New York, Oxford University Press, 2019.

Em Occupying Schools, Occupying Land, Rebecca Tarlau oferece uma história e uma etnografia política das iniciativas educacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entre os anos 1980 e 2013. Ela argumenta que as iniciativas educacionais do MST vêm combinando ações políticas c com as estratégias ocupação de instituições estatais para perseguir seus objetivos de transformação social. Em outras palavras, ela mostra que as lutas e realizações educacionais do MST sugerem que “os movimentos sociais podem aumentar sua capacidade interna ao envolver instituições estrategicamente”. O livro é baseado em um esforço de pesquisa verdadeiramente impressionante, que incluiu vinte meses de imersão nas atividades diárias dos coletivos educacionais do movimento, mais de duzentas entrevistas em profundidade com ativistas e atores estatais e centenas de outras fontes primárias e secundárias, incluindo correspondências, leis e decretos governamentais, livros didáticos, artigos de jornais, programas de conferências, folhetos e uma variedade de outras fontes.

Felipe Botelho Correa
Monica Pimenta Velloso
Valéria Guimarães

Magazines and Modernity in Brazil: Transnationalisms and Cross-Cultural Exchanges. Anthem Press, 2020.

The essays gathered in Magazines and Modernity in Brazil explore transnational topics such as architecture; cosmopolitanism and universalism; antisemitism, anti-war movements; visual artistic movements; advertising; anti-racism; avant-garde; class; consumer society; design; ethnicity and race; fascism and anti-fascism; intellectual elites; literature; modernity; publishing; translation, as well as book and periodical exchange, which is the main focus of this collection.

Oscar de la Torre

The People of the River: Nature and Identity in Black Amazonia, 1835-1945. Chapel Hill, The University of North Carolina Press, 2018.

The People of the River mostra a vida e os meios de subsistência de camponeses afrodescendentes na Amazônia brasileira, de meados do século XIX até a Segunda Guerra Mundial, destacando o nascimento e a elaboração de identidades negras, rurais e agrícolas que se manifestaram em resposta à demografia e ecologia locais, prioridades sociopolíticas e pressões econômicas que estavam constantemente em fluxo. Evitando os abrangentes discursos sociais, científicos e populares da mestiçagem que muitas vezes serviram para apagar comunidades negras, indígenas e outras minorias das paisagens e historiografias nacionais do Brasil, os sujeitos afro-amazônicos compreendiam comunidades radicalmente heterogêneas que entendiam e expressavam suas agência individual e coletiva em simbiose íntima com o mundo natural. De la Torre utilizou materiais de arquivo, entrevistas pessoais, além de uma ampla variedade de fontes primárias e secundárias publicadas, a fim de recontar essas histórias fascinantes e bem elaboradas, é uma conquista notável.

Celso T. Castilho

Slave Emancipation and Transformations in Brazilian Political Citizenship.

Pittsburgh, University of Pittsburgh Press, 2016.

Muitos estudiosos escreveram sobre a abolição da escravidão no Brasil, mas grande parte da literatura sobre emancipação de escravos se concentrou em quem, por que e quando. Neste excelente e inovador estudo do movimento abolicionista de Pernambuco, Celso Castilho leva a discussão a uma nova e importante direção, concentrando-se na maneira como a mobilização para acabar com a escravidão humana no Brasil ampliou as fronteiras da esfera pública e estimulou novos debates sobre cidadania e pertencimento nacional. Esses debates, por sua vez, impactaram o curso do processo de emancipação, mas também levaram as elites que se apegavam ao seu poder escravista a responder de maneiras que atrasavam a abolição e rejeitavam as reivindicações políticas de mulheres, pobres e pessoas de cor, escravizadas e livres. Este livro é uma contribuição crucial para a historiografia da emancipação de escravos no Brasil e uma fonte crítica para entender as definições limitadas de liberdade e cidadania que moldaram a ordem pós-emancipação.

Christopher Dunn

Contracultura: Alternative Arts and Social Transformation in Authoritarian Brazil.

Chapel Hill, North Carolina, University of North Carolina Press, 2016.

A Contracultura fornece uma exploração inédita até agora do movimento contracultural brasileiro desde o seu início no final da década de 1960 até o final da década de 1970. Com especial atenção à classe, gênero, raça, sexualidade e suas interseções, Dunn oferece análises nítidas e descrições ricas das variadas maneiras pelas quais artistas, intelectuais e jovens perturbaram as visões não apenas de líderes militares autoritários, mas também da esquerda estabelecida. Com atenção cuidadosa às sensibilidades incompletas e efêmeras de músicos, escritores, dançarinos e outros, Dunn revela o impacto mais conseqüente da virada contracultural da década de 1970 na produção cultural brasileira cotidiana e na sociedade civil.

Tianna Paschel

Becoming Black Political Subjects: Movements and Ethno-Racial Rights in Colombia and Brazil

Princeton, NJ, Princeton University Press, 2017.

O livro de Tianna Paschel oferece uma análise inovadora que desmistifica os fatores que catalisaram o desenvolvimento da legislação étnico-racial no Brasil e na Colômbia. De maneira mais distinta, Paschel conta com uma estrutura conceitual sofisticada e uma abordagem em vários níveis, que se baseia em pesquisa etnográfica e dados de arquivo para centralizar a agência de ativistas negros e mostrar como o alinhamento de diversos campos políticos (globais e locais) foram fatores críticos para o surgimento da subjetividade política negra. O livro de Paschel representa um modelo rigoroso de análise comparativa de raça, com clara significância para o Brasil e além.