prêmio Roberto Reis do Livro

BRASA anuncia os recipientes do Prêmio Roberto Ries do Livro 2019

Vencedores do prêmio Roberto Reis do Livro 2019

Jessica Graham

Shifting the Meaning of Democracy: Race, Politics, and Culture in the United States and Brazil. Oakland, California, University of California Press, 2019.

Shifting the Meaning of Democracy é um estudo historiográfico baseado em uma cuidadosa busca de arquivos e em um vasto domínio da produção intelectual durante o período estudado. O autor enfrenta uma das premissas mais certas de estudos comparativos sobre o Brasil e os Estados Unidos: sua oposição em termos raciais. É um trabalho com muitas contribuições. Traz uma reflexão essencial de um período histórico relevante (1930-1945) sobre o tema da democracia nos dois países, inova sobre a importância da relação entre raça e política no período analisado. O livro aborda uma série de fatos históricos importantes nos dois países, identificando não apenas alianças, mas estratégias comuns sobre questões raciais, trazendo novas luzes ao nosso entendimento sobre raça, nação e democracia nas duas nações.

Rebecca Tarlau

Occupying Schools, Occupying Land: How the Landless Workers Movement Transformed Brazilian Education. New York, Oxford University Press, 2019.

Em Occupying Schools, Occupying Land, Rebecca Tarlau oferece uma história e uma etnografia política das iniciativas educacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entre os anos 1980 e 2013. Ela argumenta que as iniciativas educacionais do MST vêm combinando ações políticas c com as estratégias ocupação de instituições estatais para perseguir seus objetivos de transformação social. Em outras palavras, ela mostra que as lutas e realizações educacionais do MST sugerem que “os movimentos sociais podem aumentar sua capacidade interna ao envolver instituições estrategicamente”. O livro é baseado em um esforço de pesquisa verdadeiramente impressionante, que incluiu vinte meses de imersão nas atividades diárias dos coletivos educacionais do movimento, mais de duzentas entrevistas em profundidade com ativistas e atores estatais e centenas de outras fontes primárias e secundárias, incluindo correspondências, leis e decretos governamentais, livros didáticos, artigos de jornais, programas de conferências, folhetos e uma variedade de outras fontes.

Menção honrosa

Oscar de la Torre

The People of the River: Nature and Identity in Black Amazonia, 1835-1945. Chapel Hill: The University of North Carolina Press, 2018.

The People of the River mostra a vida e os meios de subsistência de camponeses afrodescendentes na Amazônia brasileira, de meados do século XIX até a Segunda Guerra Mundial, destacando o nascimento e a elaboração de identidades negras, rurais e agrícolas que se manifestaram em resposta à demografia e ecologia locais, prioridades sociopolíticas e pressões econômicas que estavam constantemente em fluxo. Evitando os abrangentes discursos sociais, científicos e populares da mestiçagem que muitas vezes serviram para apagar comunidades negras, indígenas e outras minorias das paisagens e historiografias nacionais do Brasil, os sujeitos afro-amazônicos compreendiam comunidades radicalmente heterogêneas que entendiam e expressavam suas agência individual e coletiva em simbiose íntima com o mundo natural. De la Torre utilizou materiais de arquivo, entrevistas pessoais, além de uma ampla variedade de fontes primárias e secundárias publicadas, a fim de recontar essas histórias fascinantes e bem elaboradas, é uma conquista notável.

VENCEDORES ANTERIORES

2017 CELSO T. CASTILHO

Slave Emancipation and Transformations in Brazilian Political Citizenship. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press, 2016.

Muitos estudiosos escreveram sobre a abolição da escravidão no Brasil, mas grande parte da literatura sobre emancipação de escravos se concentrou em quem, por que e quando. Neste excelente e inovador estudo do movimento abolicionista de Pernambuco, Celso Castilho leva a discussão a uma nova e importante direção, concentrando-se na maneira como a mobilização para acabar com a escravidão humana no Brasil ampliou as fronteiras da esfera pública e estimulou novos debates sobre cidadania e pertencimento nacional. Esses debates, por sua vez, impactaram o curso do processo de emancipação, mas também levaram as elites que se apegavam ao seu poder escravista a responder de maneiras que atrasavam a abolição e rejeitavam as reivindicações políticas de mulheres, pobres e pessoas de cor, escravizadas e livres. Este livro é uma contribuição crucial para a historiografia da emancipação de escravos no Brasil e uma fonte crítica para entender as definições limitadas de liberdade e cidadania que moldaram a ordem pós-emancipação.

2017 Christopher Dunn

Contracultura: Alternative Arts and Social Transformation in Authoritarian Brazil. Chapel Hill, North Carolina: University of North Carolina Press, 2016.

A Contracultura fornece uma exploração inédita até agora do movimento contracultural brasileiro desde o seu início no final da década de 1960 até o final da década de 1970. Com especial atenção à classe, gênero, raça, sexualidade e suas interseções, Dunn oferece análises nítidas e descrições ricas das variadas maneiras pelas quais artistas, intelectuais e jovens perturbaram as visões não apenas de líderes militares autoritários, mas também da esquerda estabelecida. Com atenção cuidadosa às sensibilidades incompletas e efêmeras de músicos, escritores, dançarinos e outros, Dunn revela o impacto mais conseqüente da virada contracultural da década de 1970 na produção cultural brasileira cotidiana e na sociedade civil.

2017 MenÇÃo Honrosa TIANNA PASCHEL

Becoming Black Political Subjects: Movements and Ethno-Racial Rights in Colombia and Brazil. Princeton, NJ: Princeton University Press, 2017.

O livro de Tianna Paschel oferece uma análise inovadora que desmistifica os fatores que catalisaram o desenvolvimento da legislação étnico-racial no Brasil e na Colômbia. De maneira mais distinta, Paschel conta com uma estrutura conceitual sofisticada e uma abordagem em vários níveis, que se baseia em pesquisa etnográfica e dados de arquivo para centralizar a agência de ativistas negros e mostrar como o alinhamento de diversos campos políticos (globais e locais) foram fatores críticos para o surgimento da subjetividade política negra. O livro de Paschel representa um modelo rigoroso de análise comparativa de raça, com clara significância para o Brasil e além.

2015 BARBARA WEINSTEIN

The Color of Modernity: São Paulo and the Making of Race and Nation in Brazil. Durham: Duke University Press, 2015.

Este livro cintilante traça a história da idéia de que São Paulo constituía uma região singularmente moderna, economicamente dinâmica e predominantemente branca, que incorporava o Brasil da melhor maneira possível. Por meio de uma pesquisa extraordinariamente detalhada sobre os principais episódios da história paulista do século XX, Weinstein mostra como os paulistas implantaram essa imagem em diferentes momentos para sustentar a posição de destaque do Estado no país, geralmente à custa de outras regiões. Uma das poderosas idéias do livro é conceber nação e região, além de brancura e democracia racial, não como opostos ou antagonistas, mas como construções imperfeitamente complementares. Ao fazê-lo, Weinstein abre novos caminhos ao explicar a reprodução e a persistência de desigualdades raciais e socioeconômicas – e suas dimensões espaciais – em um Brasil “racialmente democrático” ao longo do século XX. Este é um livro que moldará os estudos sobre raça, região, nação e desigualdade na América Latina e além nas próximas décadas.

2015 HEATHER F. ROLLER

Amazonian Routes: Indigenous Mobility and Colonial Communities in Northern Brazil. Stanford: Stanford University Press, 2014.

Este é um livro transformador. Belamente escrito, maravilhosamente discreto, o livro de Heather Roller oferece uma nova e convincente interpretação das interações entre o império português e as populações indígenas da Amazônia no final da era colonial. Rompendo com visões convencionais de longa data de amazonas nativas que fogem do poder imperial cada vez mais fundo na floresta, Heather Roller argumenta convincentemente, com base em fontes até então inexploradas, que os povos nativos da Amazônia usaram o estado imperial quase tanto quanto o estado imperial os usava . O livro de Roller nos obriga a repensar muito do que pensávamos que sabíamos sobre as relações Estado-indígenas, não apenas no Brasil, mas em grande parte da América Latina e do mundo – – e não somente nesse período, mas também hoje.

2015 MENÇÃO HONROSA REBECCA J. ATENCIO

Memorys Turn: Reckoning with Dictatorship in Brazil. Madison: University of Wisconsin Press, 2014.

Com o Memory’s Turn, Rebecca Atencio faz uma intervenção oportuna e incisiva nos debates em andamento sobre a cultura e a política da justiça de transição no Brasil. Após décadas de “esquecimento institucionalizado” que efetivamente ignoraram os crimes da ditadura militar, o governo brasileiro estabeleceu uma Comissão Nacional da Verdade em 2011 para investigar violações dos direitos humanos perpetradas por agentes do regime. O estudo de Atencio mostra como produtos culturais, incluindo romances, testemunhos, filmes e dramas de televisão, impactaram a “volta à memória” do Brasil. Ela oferece um modelo teórico elegante e transferível para entender a relação entre “ciclos de memória cultural” e mecanismos institucionais projetados para lidar com crimes e injustiças passados.

O Prêmio Roberto Reis BRASA Book reconhece os dois melhores livros de Estudos Brasileiros publicados em inglês que contribuem significativamente para promover a compreensão do Brasil. O prêmio homenageia Roberto Reis, um dos fundadores da BRASA, comprometido com o desenvolvimento de estudos brasileiros nos Estados Unidos.

Diretrizes para envio

Para que um livro seja considerado para o prêmio, seu autor deve ser membro da BRASA e estar em dia com as cotas. O livro deve ter sido publicado em inglês entre janeiro de 2020 e dezembro de 2021.


O autor do livro deve enviar uma folha de rosto por e-mail à Secretaria da BRASA em brasa@brasaweb.org e enviar uma cópia impressa da folha de rosto e uma cópia do livro diretamente a cada membro do comitê.

O prazo para envio será 1 de dezembro de 2021. (Nota: Os livros publicados em dezembro de 2021 podem ser enviados até 31 de dezembro de 2021.) O comitê tomará decisões sobre os prêmios, além de quaisquer menções honrosas. A Secretaria enviará uma carta aos vencedores e os anunciará através do site da BRASA e digerirá até 15 de fevereiro de 2022. O anúncio dos vencedores também será feito na próxima Conferência Internacional da BRASA XV na Universidade de Georgetown, de 9 a 12 de março de 2022.